fève saint ignace

Fava-de-São-Inácio

A pequena semente amarga, mas benéfica para a nossa saúde em doses baixas

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  • Nome latino:Ignatia amara
  • Onde encontrar:Originária do Sudeste Asiático, a fava-de-São-Inácio provém principalmente das Filipinas e cresce numa grande árvore tropical, a Strychnos ignatii.
  • Propriedades:Planta tóxica, deve ser manuseada com precaução.

Originária das Filipinas e outrora considerada uma semente mágica, a fava-de-São-Inácio é atualmente utilizada pela indústria farmacêutica para produzir soluções de saúde. Graças aos seus alcaloides, cuidadosamente doseados, pode de facto ter um efeito benéfico em algumas perturbações ligeiras do comportamento.

A fava-de-São-Inácio: outrora magia, hoje medicina

Numa época em que a medicina e a magia estavam intimamente ligadas, as favas-de-São-Inácio eram utilizadas como antídoto para poções de amor e outras bebidas mágicas. Um pouco mais “a sério”, digamos, as sementes eram utilizadas pelo seu efeito tonificante sobre o estômago e o intestino. Dizia-se então que tinham o poder de “eliminar a urina e os gases”. Eram também prescritas para combater a febre e as ascaríases, infeções provocadas por vermes parasitas redondos e alongados. Em suma, as favas-de-São-Inácio pareciam ter poderes para quase tudo.

Atualmente, os laboratórios farmacêuticos sabem dosear os seus dois alcaloides tóxicos — a estricnina e a brucina — para desenvolver soluções de saúde que, em doses baixas, atuam sobre algumas perturbações ligeiras do comportamento, como a ansiedade, o medo do palco ou as perturbações do sono. Mas atenção: quando se fala de fava-de-São-Inácio, fala-se também de uma planta tóxica!

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De onde provém a fava-de-São-Inácio?

A fava-de-São-Inácio é a semente de Strychnos ignatii, um arbusto trepador da família das Loganiáceas. O seu tronco, com cerca de dez centímetros de espessura, possui uma casca lisa e avermelhada. Os seus ramos, finos e aveludados, apresentam folhas opostas em cruz, que podem atingir até 25 cm de comprimento.

Strychnos ignatii floresce durante todo o ano e as suas flores, esverdeadas e discretas, estão agrupadas em umbelas. Quanto aos seus frutos, com cerca de 12 cm de diâmetro, possuem uma casca amarelo-alaranjada que os faz lembrar um pouco as abóboras. São eles que contêm as famosas favas-de-São-Inácio: em média, cerca de quarenta sementes, com aproximadamente 3 cm de comprimento, de cor castanha mate e muito amargas.

Fava-de-São-Inácio ou Ignatia amara

O primeiro a descrever Strychnos ignatii e as suas sementes foi Georges Joseph Kamel. Este jesuíta, que era também botânico e boticário, foi enviado como missionário para as Filipinas no final do século XVII. Foi aí que observou a planta e lhe deu o nome de “Ignatii”, em homenagem a Santo Inácio de Loyola, fundador da ordem dos Jesuítas à qual pertencia.

É por isso que Strychnos ignatii também é conhecida como árvore das favas-de-São-Inácio. Quanto a Strychnos, deriva do latim strýchnos hypnóticás, dois termos que designam as bagas agridoce de efeito narcótico de uma “erva daninha” bastante comum: a erva-moura. Por fim, amara significa “amarga”.