
- Nome comum:Acónito
- Nome latino:Aconitum napellus
- Onde encontrar:Nas montanhas europeias e asiáticas.
- Propriedades:Planta tóxica, que deve ser manuseada com precaução.
O acónito deve o seu apelido de Capacete de Júpiter às suas magníficas flores. E o de “arsénico vegetal” à sua toxicidade. Utilizado durante muito tempo como veneno, este misto de beleza e perigo pode atualmente ser transformado em soluções de saúde.
Para os nossos medicamentos, utilizamos exclusivamente plantas selvagens, colhidas em França, inteiras e no final da floração.

O acónito, uma planta robusta e de montanha
O acónito, ou Aconitum napellus em latim, é uma planta da família das Ranunculáceas.
“Aconitum” terá origem no grego “akê”, que significa flecha, uma vez que o seu suco mortal era utilizado para untar as pontas das flechas. Já “napellus” é um diminutivo do latim napus, que significa nabo, numa referência à forma das suas raízes.
Quanto ao seu apelido de Capacete de Júpiter, deve-o às suas bonitas flores em forma de capacete grego.
O género Aconitum inclui espécies extremamente tóxicas… com nomes igualmente sugestivos: acónito mata-lobos (Aconitum lycoctonum), acónito venenoso (Aconitum anthora) ou acónito feroz (Aconitum ferox). Esta última é, aparentemente, a planta mais tóxica do mundo.
Planta perene, o acónito encontra-se nas montanhas europeias e asiáticas, a altitudes entre os 500 e os 2500 metros. Prefere as margens das torrentes e os terrenos frescos, húmidos e sombrios, onde consegue resistir ao frio, até -25 °C.
Na Córsega, existe uma subespécie denominada Aconitum napellus corsicum, inscrita na lista de espécies protegidas da ilha.

A história do Acónito
Na mitologia grega, diz-se que o acónito provém da baba de Cérbero, o perigoso cão de três cabeças que guardava a entrada dos infernos.
Teria sido Héracles a trazê-lo para a Terra na sequência do último dos seus 12 trabalhos.
O que é certo é que esta planta é conhecida desde a Antiguidade pela sua toxicidade e que, desde muito cedo, foi utilizada para produzir um veneno temível. Muitos povos, incluindo os Gauleses, cobriam as suas flechas com o seu suco para as tornar mortais.
Diz-se ainda que Aníbal terá cometido suicídio para não ser capturado pelos Romanos, utilizando uma mistura de cicuta e acónito.
Durante a Idade Média, a planta era considerada um remédio de magia negra utilizado para curar aqueles que se transformavam em lobisomens.
E, durante o Renascimento, foi a célebre — e tristemente famosa — família Bórgia que a utilizou para envenenar os seus opositores.

Como reconhecer o acónito?
O acónito é uma planta herbácea perene que pode atingir 1 a 2 metros de altura.
É sobretudo reconhecido pelas suas flores em forma de capacete grego, que florescem entre julho e setembro. São violetas ou azuis e estão dispostas em cachos alongados.
O seu cálice, volumoso, é constituído por cinco sépalas desiguais. No interior, a corola contém duas pétalas recurvadas, além de outras três, muito pequenas e pouco desenvolvidas.
Os estames são numerosos e mais curtos do que o cálice.
As folhas do acónito são verde-escuras, alternadas e lobadas. Os seus longos caules são direitos, glabros e cilíndricos.
Os frutos são constituídos por três — ou, mais raramente, cinco — folículos alongados que, quando amadurecem, se abrem para libertar numerosas sementes.
Por fim, o acónito é aquilo a que se chama uma espécie geófita. Isto significa que as suas raízes, espessas e castanhas, desaparecem no outono, sendo substituídas por novos tubérculos.
Atenção: “arsénico vegetal”!
Os Antigos chamavam ao acónito “arsénico vegetal”, porque esta planta contém um poderoso veneno: a aconitina.
A ingestão deste alcaloide, descoberto pelo químico alemão Rudolph Brandes em 1819, pode ser letal. Pode provocar vómitos, abrandar a respiração, causar uma perda generalizada de sensibilidade e evoluir para paralisia e asfixia mortal.
Folhas, caules, sementes: todas as partes da planta são venenosas, mas são as raízes que contêm a maior concentração de alcaloides.
Estima-se que 2 a 3 gramas de raízes de acónito sejam suficientes para provocar a morte. A agonia pode prolongar-se durante 12 horas e, atualmente, não existe qualquer antídoto.
Assim, naturalmente, para quem pretenda cultivar no jardim esta planta ornamental perigosa, mas bonita, recomenda-se vivamente a utilização de luvas e a lavagem imediata da pele em caso de contacto.
Por último, outro conselho: deve também evitar-se o consumo de mel proveniente de colmeias instaladas nas proximidades.
Sabia que…?
Diz-se que os camponeses tibetanos esfregam folhas cozidas de acónito no focinho e nas narinas dos seus animais.
Porquê?
Para lhes ensinar o quão perigosa é esta planta e, dessa forma, evitar uma possível intoxicação.
Um método um pouco brutal, mas aparentemente eficaz.















